a luta humana. a barata iluminada andando pela calçada. a
escada. a catraca. a escada. a porta se abrindo. o apito. a voz do homem. eu
sentada. inquieta. a luta humana. o design dos assentos. o design no cartaz. o
trabalho. as costuras da calça do homem sentado. a mulher. o trabalho. a luta
humana. o homem nu por dentro da calça. a estrutura do trem. o apoio cilíndrico.
o trabalho. a janela. o chão da estação
onde o trem parou, com círculos em relevo. o caminho para os cegos. a luta
humana. a arquitetura da estação. o cimento. a pintura. a luta humana. a luz
refletindo no azul do banco do assento preferencial. o não-humano. reflexo na janela. o homem nu dentro da calça
sentado sobre o banco duro. moléculas sustentando o cansaço nu das moléculas
duras do homem vestido. o homem. o trabalho. as moléculas diferentes de cada
coisa, coisa-homem, coisa-coisa. a gravidade. o barulho do metrô. a velocidade.
coisa-coisa, coisa-homem. o menino mastigando ansioso. a língua dentro da boca
fechada, procurando migalhas por entre os dentes. coisa-menino. o livro
rapidamente folheado. livro-livro. livro-livre. a estação liberdade. o outono. o
estado. o estar. o estão. o estou. a consciência em estado neutro. a voz
feminina. a voz. a palavra. o som. o dom. o uso. o talento. a vocação.
o trabalho. a conversa sobre religião. a fé como religião única. o garçom que
queria aprender inglês. o trabalho. o homem. a luta humana.
Quarta-feira, 28 de Março de 2012
Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012
coisa de pele
não chamo o calor do sol
de meu calor
assim como não chamo de meu
o seu amor
mas meu lugar ao sol
esse ninguém tasca
enquanto não vêm as nuvens
estar bronzeada
me basta
Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
prova dos nove
amo a boca de josé
a língua de luíza
os dentes de joão
e o beijo dos três
amo as mãos de marcos
os braços de leandro
as tetas de marina
e o abraço dos três
amo os olhos de alexandre
os ouvidos de fernando
a voz de marcela
e a compreensão dos três
o amor me move
amar mais que um nome
poder tudo de uma vez
(por todas e por todos)
será a prova dos nove
Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011
Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011
cara sério
anêmica vida anímica
tua alma mal fala
ou faz mímica
o que é que há por dentro
que não transparece fora?
o que fez contigo o tempo
que desastres, que mistérios
fizeram este cara sério
com quem pareces agora?
tua alma mal fala
ou faz mímica
o que é que há por dentro
que não transparece fora?
o que fez contigo o tempo
que desastres, que mistérios
fizeram este cara sério
com quem pareces agora?
Terça-feira, 16 de Agosto de 2011
Quer ganhar a poesia completa do Manoel de Barros?
Concurso Cultural
Livrai-nos
Costumo comprar livros de poesia e literatura em geral, lê-los e deixá-los guardados em casa. Mas não tenho muito espaço e acho que um livro parado é um desperdício. Pensando nisso, tive a ideia de oferecer outros donos a esses livros. Porque um livro precisa de leitores para se manter vivo. Livro na estante é livro morto.
Alguns livros estarão novinhos em folha. Outros, estarão grifados (por mim, claro). Outros ainda poderão estar com aspecto de usado mesmo. Rodadinho. Serei clara com todos em relação ao estado de cada um dos livros que eu colocar aqui pra fazermos essa brincadeira. E todos os ganhadores terão uma dedicatória especial.
Se você quer ajudar a dar vida aos livros que estavam parados lá em casa, curta a fanpage do blog aqui. Veja como participar:
CC#1 Livrai-nos, Manoel de Barros!
1. Curta a fanpage do blog
2. Faça uma frase com até 140 caracteres, inspirada no estilo do Manoel
3. Poste a frase aqui
3. Poste a frase aqui
O autor da frase que mais me tocar leva o livro. O resultado sai no dia 26 de agosto, às 16h (sexta-feira), no mural da fanpage. Entrarei em contato via inbox.
Regulamento: o Concurso Cultural Livrai-nos é válido somente em território nacional. O livro só poderá ser enviado àqueles que tiverem curtido a página do blog, acima citada. Este concurso é uma brincadeira, e tem caráter totalmente recreativo, cultural e não-comercial.
Estado do livro: sem grifos, capa um pouco sujinha porque andei com ele pra lá e pra cá por meses. Mas em ótimo estado.
A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas.
Boa sorte (ou seria criatividade?) a todos.
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